16 conselhos de ANTÓN CHÉJOV para escritores

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Anton Pavlovich Chekhov (29 de janeiro de 1860/15 de julho de 1904) foi um escritor, médico e dramaturgo russo, mestre do conto naturalista. As suas obras mais famosas são “Tio Vânia” (que continua a apresentar-se regularmente nos teatros de todo o mundo e foi levado ao cinema), “O jardim das cerejas”, “As três irmãs” e “A gaivota”. A sua técnica de monólogo influenciou escritores posteriores, assim como a sua renúncia à moralidade como base da narrativa. Dizia que o artista tem de fazer perguntas, não responder; responder fica para o público.

Anton Pavlovich Chekhov (29 de janeiro de 1860/15 de julho de 1904)

1.Ninguém leva no nariz por escrever mal; ao contrário, escrevemos porque levamos no nariz e não temos para onde ir.

2. Quando escrevo, não tenho a impressão de que minhas histórias sejam tristes. Em todo o caso, quando trabalho, estou sempre de bom humor. Quanto mais feliz é a minha vida, mais sombrio é o que escrevo.

3. Meu Deus, não permitas que eu julgue ou fale do que não conheço nem compreendo.

4. Não polir não limar demasiado. Há que ser desajeitado e audaz. A brevidade é irmã do talento.

5. Eu vi de tudo. No entanto, a escrita não é sobre o que vi, mas como o vi.

6. É estranho: agora tenho a mania de brevidade: nada do que leio, meu ou de outra pessoa, me parece suficiente breve.

7. Quando escrevo, confio plenamente que o leitor acrescentará por conta própria os elementos subjetivos que faltam na história.

8. É mais fácil escrever sobre Sócrates do que sobre uma jovem ou uma cozinheira.

9. Guarda a história num baú durante um ano e, depois disso, volta a lê-la. Então, vê-la-ás com mais clareza. Escreve um romance. Escreve durante um ano inteiro. Em seguida, encurte-a para meio ano e publica-a. Um escritor, mais do que escrever, deve bordar no papel; que o trabalho seja meticuloso, elaborado.

10 Eu aconselho-te:

1) nenhuma monstruosidade política, social e econômica.

2) objetividade absoluta.

3) veracidade na pintura de personagens e coisas.

4) concisão máxima.

5) ousadia e originalidade: rejeita tudo o que é convencional.

6) espontaneidade.

11 É difícil combinar o desejo de viver com o desejo de escrever. Não deixes a tua caneta correr quando a tua cabeça estiver cansada.

12 Nunca deves mentir. A arte tem essa grandeza: não tolera a mentira. Podes mentir no amor, na política, na medicina; podes enganar as pessoas e até mesmo a Deus, mas na arte não podes mentir.

13 Nada é mais fácil do que descrever autoridades hostis. O leitor gosta, mas só o mais insuportável, o mais medíocre dos leitores. Deus te guarde dos lugares comuns. O melhor de tudo é não descrever o humor dos personagens. Este deve brotar das suas próprias ações. Não publiques até teres a certeza de que os teus personagens estão vivos e de que não pecas contra a realidade.

14. Escrever para os críticos faz tanto sentido como dar a cheirar flores a alguém constipado.

15. Não sejas charlatão e diz francamente que, neste mundo, nada se entende. Apenas os charlatões e idiotas pensam que entendem tudo.

16. Não é a escrita que me deixa enjoado, mas o ambiente literário, de que não é possível escapar e que te acompanha por toda a parte, como à terra a atmosfera. Não acredito na “intelectualite”, que é hipócrita, falsa, histérica, rude, preguiçosa; não acredito nela mesmo quando sofre e se lamenta, pois, os seus perseguidores vêm das suas próprias entranhas. Acredito nos indivíduos, em algumas pessoas espalhadas por todo o lado – sejam intelectuais ou camponeses –; neles está a força, mesmo que sejam poucos.

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