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Decálogo do Conto, de Julio Ramón Ribeyro Zúñiga

Julio Ramón Ribeyro Zúñiga (1929-1994) foi um escritor peruano considerado um dos mestres do conto na América Latina. Pertenceu à chamada Geração dos anos 50, que inclui também, entre outros, Mario Vargas Llosa. Além de contos, escreveu romances, ensaios e teatro. Recebeu o Prémio Juan Rulfo e o Pémio Latino-americano.

  1. O conto deve contar uma história. Não há conto sem história. O conto foi escrito para que o leitor, por sua vez, possa contá-la.
  2. A história do conto deve ser real ou inventada. Se for real, deve parecer inventado e, se for inventado, deve parecer real.
  3. O conto deve ser curto, para que possa ser lido imediatamente.
  4. A história contada pelo conto deve entreter, comover, intrigar ou surpreender, e se o fizer tudo isto, melhor. Se não alcançar nenhum destes efeitos, não existe como conto.
  5. O estilo do conto deve ser direto, simples, sem ornamentos ou digressões. Vamos guardar isso para a poesia ou para o romance.
  6. O conto deve apenas mostrar, não ensinar. Caso contrário, será moralista.
  7. O conto admite todas as técnicas: diálogo, monólogo, narração pura e simples, epístola, relato, colagem de textos alheios, etc., desde que a história não se dilua e o leitor possa reduzi-la à expressão oral.
  8. O conto deve partir de situações em que a personagem ou personagens vivam um conflito que os obriga a tomar uma decisão que põe em causa o seu destino.
  9. No conto, não pode haver tempos mortos ou qualquer coisa de sobra. Cada palavra é absolutamente essencial.
  10. O conto deve necessariamente, inexoravelmente, levar a um único desfecho, por mais surpreendente que seja. Se o leitor não aceitar o desenlace, o conto falhou.
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